quinta-feira, 7 de junho de 2012

Tique-taque
O cérebro lembra que é uma hora...
Os olhos enxergam duas...
Os ouvidos escutam três...
A boca grita quatro...
A língua mente que são cinco...
Os dentes dilaceram as pobres seis...
A garganta engole o sete...
O peito sufoca todas as oito...
As mãos resvalam pelas nove...
O estômago prende as indefesas dez...
As cadeiras rebolam ao passar pelas onze...
Os cabelos se espalham com a exatidão das doze...
Os pés cansam em cima das treze...
As unhas se agarram aos ponteiros das quatorze...
Os poros se banham antes das quinze...
O fígado bebe sozinho todas as dezesseis...
Os pelos levantam com a chegadas das dezessete...
As vísceras se livram das dezoito...
O sexo se expõe ao contato das dezenove...
O suor continua a escorrer, não, às vinte...
Os ossos gelam com a pressa das vinte e uma...
O corpo se contrai às vinte e duas...
O sangue mancha tudo às vinte e três...
O coração para às vinte e quatro em ponto.
Faltou corda neste relógio que só tu entendia.

sexta-feira, 1 de junho de 2012


Rastro humano
“Se vocês não sabem o que fazer com esta terra, devolvam-na para nós”. Esta frase está no portal da cidade Taquera do Riosul, no busto em homenagem àquele que foi responsável por impedir que Altemo, empresário inescrupuloso, continuasse importando lixo tóxico e escravizando pessoas.