terça-feira, 1 de outubro de 2013



Ele pensa que eu não sei

Ele pensa que eu não sei.
Imagina estar sendo sutil.
Não sabe ele que a dor infringida nunca é leve?
Sempre dói. Sempre.

O silêncio dele carrega uma corrente
Eu
Mesmo abafando meus ouvidos
Ouço os gritos daquilo que elas arrastam.

Não dá mais para engolir.
A saliva não passa
Quer ser cuspida,
estampada em sua cara
como uma bofetada.
Ele pensa que eu não sei.

Minhas mãos que antes,
no corpo dele tinham um caminho,
hoje se freiam, se retesam e choram.
Meus olhos não podem mais
Fechar é o que eles querem.
Dormir.
E ao se abrirem, sussurrar:
Você pensa que eu não sei?