quarta-feira, 21 de outubro de 2015



Matar não matou,
Mas doeu.
Sangrou.
Fiquei de cama.
Quase morri,
Mas, não.
Perdi tudo da cara.
De vergonha, a sorriso e dentes.
De olhos a sonhos.
Tudo acabou.
Mas sou Fenix, amor.
A única coisa que não trago comigo é compaixão,
Perdão.
Tu vais sofrer pra mim.
Ah, também vais te perder, amor.
E eu, mesmo morta, estarei solta por aí.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Mentira

Vou ficar bem... 
Novas palavras já não têm mais importância.
Vai, eu farei de mim o que eu quiser.
Eu sou filha de Iansã. Não preciso de piedade.
O pê da minha vida tem sempre um quê de poesia.
E falando sério amigo, tu eras do amor que eu queria só um arremedo,
não vou nem sentir saudade.

sábado, 17 de outubro de 2015

Coração analfabeto

Tem um louco solto no meu peito.
Está convulsionando de ódio.
Espumando de raiva.
Quer sair pela boca.
Dizer e fazer tragédias.
Incapaz.
Bem-feito!
Quando eu disse não vai, ele me abanou todo contente: Eu vou ser feliz.
Feliz até chegar o verbo trair e te ensinar a conjugar.
Idiota. Aprendeu?
Traição
Tenho vontade de caminhar caminhar caminhar...
Caminhar até gastar os pés,
As pernas,
O sexo,
Chegar aos órgãos.
Ir esfregando eles no asfalto.
Sem olhar para trás.
O sangue que escorra.
A dor que se aguente.
A intenção é chegar o mais próximo do coração possível.
Imaginem a reação dele...
Ao assistir tudo e saber que sua hora está chegando.
Também vai ser linchado, escalpelado, destruído.
Ele deve pensar, apavorado, para onde fugir?
Covardes sempre pensam em rotas de fuga.
O coração sabe que para baixo só há destruição, e para cima...
Quem manda agora é o cérebro.
Que batalha. Que êxtase. Que vontade.
E pensar que guerra essa só por causa de uma traição.

Que morram todos. Que morra eu.
Costurando a história

No tempo da minha mãe, hoje com 70 anos de idade, as mulheres eram donas de casa. Trabalho não remunerado, que exigia total comprometimento, manhãs, tardes e noites, além da capacidade de saber cozinhar, lavar, passar, cuidar dos filhos e, em muitos casos, e foi o da minha mãe, aguentar “as escapadas” e as agressões verbais e físicas do marido. Ah, e ainda, precisavam complementar a renda familiar, porque naquela época também se trabalhava muito e ganhava-se pouco. Minha mãe tinha por ofício a costura. Ofício esse que vinha de sua tataravó, que havia passado para sua avó, para suas filhas..., ou seja, uma herança feminina de família. Pois foi esse ofício que garantiu à minha mãe dar o seu grito de basta. Lembro ter sido, por aquela mesma época, que as mulheres deixaram de chorar em cima da louça e partiram para o mercado de trabalho – pelo menos onde eu vivia foi nessa época que ocorreu. Os passos ainda vacilantes, mas muito determinados, garantiram às mulheres o mercado que têm hoje, apesar de ainda ser muito discriminatório e injusto financeiramente para o gênero. Bem, mas é o que se tem por agora...
A separação de meus pais foi difícil, toda separação machuca, e machuca a todos.
Mas foi o ofício de costureira, mesmo para uma mulher que nunca havia trabalhado fora, “mal vista” devido à separação (sim, naqueles tempos, a mulher separada era rebaixada de casta), que garantiu a comida na mesa e um teto para mim e meu irmão. Além “dessas coisas básicas” também nos permitiu continuarmos nos estudos, situação que minha mãe não abria mão. “Vocês precisam estudar. Tu mais ainda, por ser mulher. Mulher não pode depender de homem”.
E assim eu fui... Insistindo. Faculdade. Emprego. Casamento. Filhos. Desemprego. Traição.
Como, diabos, eu me separo de um marido traidor, no meio desse desemprego generalizado, garantindo uma vida digna para meus filhos, sem saber absolutamente nada de costura?
Não que minha mãe não tenha tentado me ensinar. Ora se tentou. “Se não precisar, ótimo. Mas se precisar e souber, aproveita”. Sábias palavras. Por que eu não as ouvi também?

Bem, mas agora é enxugar as lágrimas, engolir a raiva e sair pra comprar agulha e linha, nem que seja para costurar o trapo que estou.