domingo, 8 de dezembro de 2013


Morre alguém em mim
Estou há dias morrendo alguém em mim.
Como a um paciente terminal, o observo furtivamente vez e quando para não despertar questão.
Em minha garganta jaz agonizando um verbo que julguei eterno, e se era para sempre, quem acionou esse outro movimento?
Como velar um morto em silêncio?
Não quero me despedir assim.
Eu preciso de choro, de gritos e desespero, afinal, hoje morre alguém em mim.
E o que dizer para os amigos, vizinhos e parentes quando depois do luto me encontrarem com olhos de penar? Mentir? Dizer, não foi nada, é apenas mau sono de noites, acordada?
Não, não pode ser assim, meu morto vale bem mais que prantos e mentiras deslavadas.
Ele não era somente um pedaço, mas pele mesmo de mim. Muitas vezes foi minhas unhas e muitos e tantos outros sins e negações.
Junto com ele vai nossa história, e pouco, bem pouco vai sobrar pra mim.
Por isso meu morto é tão importante. Ao morrer ele, morro eu e morremos sós.

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