quinta-feira, 31 de maio de 2012


A palavra chave
“Feliz do homem que não tem pecados e infeliz daquele que acredita nisso”.

_ Ódio. Esta é a palavra chave de hoje. O ódio fecha portas e é assim que eu quero o mundo hoje: fechado. Ao invés de saírem de casa vestindo suas roupinhas de bons ou maus, as pessoas deveriam fechar-se para balanço e chegar a única conclusão possível: falimos. Estamos falidos como raça, demos errado, acabou. Não acha, padre? Não, com certeza, não. O padre acredita num tal deus redentor. É engraçado como as pessoas gostam de se enganar. Idiotas.
_ Eu não posso obriga-lo a crer em Deus, mas minha fé me dá a certeza de que os homens são constituídos de amor e de que você não é exceção. Essa sua relutância não passa de uma defesa. Quando aceitar isso ficará livre desses seus sentimentos negativos para com os outros e para com você mesmo.
 _ Livre? Liberdade? (Risos). Ah, padre, você não sabe de nada, é tão burro quanto os outros. Um homem não pode ser livre sendo refém de sua covardia. Para viver se precisa de coragem e para morrer mais ainda. Eu estou preparado para os dois.
_ Você define sua valentia pelo que faz?
 _ Não, eu defino a sua covardia pelo que você não faz.  Se eu mudasse a palavra chave de hoje para medo, sabe qual seria sua reação, seu padreco de merda.
_ Ah...
_ Não responda, não é uma pergunta, é uma constatação. Você, se hoje eu te provocasse medo, sairia muito puto da vida, cheio de raiva e me praguejaria até dormir em seus lençóis cheirando a vinho e encerraria sua raiva em cápsulas de câncer. De manhã sentiria o gosto de pus na sua boca, mas se rejubilaria por ter enfrentado a sua ira sem contestar em nome da glória de um deus que você nunca vai conhecer, mesmo depois de definhar de dor em uma cama qualquer.
...Continuação
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